sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

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"No começo tudo é lindo, perfeito. Ninguém tem defeito. Todo mundo jura fidelidade e amor eterno.

No terceiro mês, você desconfia porque a fulana liga tanto, porque o futebol termina meia-noite, porque todo dia ele tem uma reunião, porque ele sai com pessoas que você nunca ouviu falar antes. Você tá vendo coisa demais ou é só ciume?

Você já não frequenta as baladas que gostava. Mal sai com as amigas. Perdeu o contato com seus amigos homens. Deletou seus ex-ficantes, rolos e ex-namorados do seu MSN. Deletou numeros suspeitos do seu celular. Você cede, cede, cede. Até uma hora que a corda cede. Arrebenta.

Você cedeu tanto, sem perceber, que murchou. Secou feito flor no inverno. E agora espera a primavera da janela da sua casa, de onde, inclusive, você mal sai. É de casa pro trabalho, do trabalho pra casa.Ele que te achava linda, mal te vê. Sua luz apagou. Foi-se o brilho junto com as noites de festa. A poesia virou drama.

E cadê você?Você tá em algum canto. Largou sua vida de lado e foi viver a vida dele. Enquanto ele se divertia com os amigos, você enchia o saco dele com seu ciúmes. Enquanto ele ia pra festa, você ficava em casa queimando neurônios. E quanto mais ele vivia, mais você esmoecia.

Murcha como uma criança que descobriu que Papai Noel não existe. Que confiança e respeito valem mais que juras de fidelidade. Que não existe nada eterno. Que a gente nunca sabe até aonde a gente deixa ir. Que alguns caminhos não tem volta, mas têm várias saídas de emergência. Que a sua vida tem urgência e o resto é bobagem. Que você nasce sozinha pra aprender a fazer escolhas sozinha. E que você só está acompanhada quando aprende a ficar sozinha."

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