domingo, 26 de julho de 2009

Metade...

Sabe do que eu gostava em você? Do jeito que você me olhava, como se não existisse mais ninguém em todo universo, da maneira que me abraçava e me fazia sentir que tudo ia ficar bem, eu amava a maneira como você fazia com que eu parasse de chorar, como corria pra me encontrar sempre que eu precisava de você, eu achava perfeita a maneira com que eu me alojava no seu peito e me sentia pequena, era só nesse momento que eu me permitia ser frágil, era só enquanto eu estava deitada no seu peito que me encontrava e esquecia o resto do mundo. Eu achava deliciosa a nossa maneira de preparar café da manha juntos, eu fazia os pães, você o leite e a gente ria juntos imaginando nossa vida de casados. Eu achava incrível quando eu adormecia nos seus braços e você não se movimentava só pra não me acordar. Eu achava perfeito cada "Eu te amo" que você me dizia, eu acreditava em cada palavra, cada suspiro, cada lágrima... E quando a gente chorava juntos? Você dizia que não queria me perder, eu dizia que era complicado, eu te fazia chorar, mas o que você não sabia era que te ver chorar me fazia ficar em farrapos, me fazia querer voltar o mundo no momento em que a gente acordava juntos e ria escovando os dentes enquanto imitava as cenas de um filme... Eu amava as nossas sextas-feiras vendo filme e comendo pizza, eu sentia o quanto era bom estar com você, mesmo que não estivéssemos fazendo nada, só o fato de estar com você já me bastava. Eu nunca te contei, mas a primeira vez que senti que te amava foi quando você chorou só porque eu estava chorando, foi quando você me acolheu e disse que nada mais ia me fazer mal, foi quando você mostrou que eu poderia contar com você... sempre... A nossa ligação era perfeita, você completava minhas frases, eu entendia seus olhares, você me protegia, eu te fazia crescer, você me fazia especial, eu te fazia entender, você me completava e eu te fazia sentir inteiro. E quando a gente brigava, eu dizia que nunca mais queria te ver, que odiava você, mas continuava brigando, não te contei, mas continuava brigando pra poder continuar a falar com você, mesmo que por grosserias, você tinha medo de mim, se desculpava e eu dizia que não ia perdoar, você sabia que eu estava mentindo. A gente se evitava, a gente não conseguia, a gente voltava no que dizia, a gente acertava os erros e prometia o mundo, a gente sorria de lado, a gente se olhava de longe, a gente se cuida mesmo que só em pensamento... E hoje eu sou só metade do inteiro que eu sinto!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Acontece...!

"Esquartejamentos sentimentais acontecem, não há o que se possa fazer... assistimos com espanto, os pedaços inteiros que se perdem pra sempre. Pra sempre? Sim, afirmo: algumas coisas quando perdidas são pra sempre. Não que não fiquem marcadas, mas são gastas de tal forma, ou morrem com tal violência que não sobrevivem. Não, você não precisa olhar com tanto desconsolo, talvez seja natural que isso aconteça, não sei, não tenho todas as respostas...Imagine que, de repente, o “objeto de seu amor” (odeio essa expressão) não existiu, foi inventado por você no esqueleto de um estranho qualquer.Como desfazer ou descobrir a ilusão? Como culpar o outro por algo que foi criado além de entendimento e permissão? Ah, os truques com fundo falso que nossa mente é capaz ainda me fascinam. Seria como viver uma história em um mundo imaginario e acordar em uma realidade crua, sem artifícios, sem photoshop, entende? E depois olhar aterrorizado, procurando o familiar nas coisas vistas como se de primeira vez. Ou talvez, não, não seja nada disso, e invente coisas no sexto drink, para que seu coração não se contorça e te confesse que na verdade, o problema seja apenas deslealdade ou covardia. E sabe, riremos de tudo quando passar. Riremos o sorriso limpo de quem volta, com as marcas da guerra, não por sermos assassinos mas por sobrevivermos heroicamente ao excesso de medo. Riremos porque é assim que encaramos esse caminho: frente, peito aberto, sem gritar virtudes, sabendo bem de cada sombra dentro e de como range o peito em certos dias. Como a resposta que dei a minha avó quando me chamou de pássaro da asa quebrada: eu sempre vou poder voar. E mais alto do que muitos agüentariam. Lembro do seu rosto, querido, e do seu olhar sério, ali, naqueles segundos, eu estava de novo livre, asas firmes, prontas.Pois assim como aconteceu comigo, acontecerá contigo. Um dia desses, você acorda como se tivesse nascido naquele exato instante do abrir os olhos e notar-se vivo. Mas ao mesmo tempo, você sentirá que não é para tanto, é só o curso natural das coisas e como esse curso é bonito quando vivido de alma inteira..." A. R.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Dois lados...

Eu sempre começo pelo final... sempre sei onde quero chegar mas nunca chego lá. Sou sensível demais, emotiva demais e minto muito pra mim.
Se eu pudesse agarrar o mundo com as mãos, se eu pudesse não soltar mais, se eu pudesse mudar minha história, se eu pudesse escolher outros caminhos... talvez eu fosse mais forte, talvez mais verdadeira comigo, talvez menos sentimental, talvez menos frágil...
Ah essa minha fragilidade.. O que eu faço com ela? Eu sempre fiz pose de durona, sempre ergui o queixo e olhei de cima, sempre agarrei o travesseiro e chorei escondida.
A verdade é que eu sou uma menininha, daquelas que precisa de colo, afago, atenção... é.. eu sou essa criança, eu sou amparada por uma casaca... eu sou como um porco espinho, sempre que alguém chega perto eu afasto pra evitar ser machucada. Algumas vezes não funciona... tá, vamos ser realistas, na maioria das vezes não funciona e eu acabo voltando pro ponto onde eu parei.
Uma vez alguém me disse sabiamente: sobre sempre escolhe o caminho das pedras porque, por mais difícil que seja, você já conhece. Essa mesma pessoa me disse: por que você não tenta o caminho mais fácil, só pra variar um pouco? E eu fiquei pensando nisso, jurei pra mim que tentaria, mas não consgui, fui pelo mais difícil... maldita seja minha teimosia.
Agora eu preciso escolher... eu escolhi: estou substituindo meu coração por um de vidro, rosa e com gliter... assim eu não sinto mais.
Bom era o tempo em que eu acreditava que podia tudo, inclusive isso... bom era o tempo em que eu não me importava, bom era o tempo em que o sentimento que tomava conta do meu corpo me fazia flutuar, odeio ter os pés colados ao chão... odeio odiar tanto... gosto de sentimentos bonitos, gosto de flores e declarações, gosto de poemas, de livros, de histórias de amor com final feliz... gosto de colorido, de abraços apertados, de chuva morna em tarde de verão...
Gosto de sorrisos... gosto de olhos brilhando, gosto de gostar.. essa sou eu.. aquela menina, frágil que pinta o mundo com cores de aquarela essa que eu reduscubro agora e volto a ser...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Enfim...

Enfim ela acordou... olhou para os lados ainda ofegante e desejou que tudo não passasse de mais um sonho ruim.
Ela estava sozinha novamente e, dessa vez, construía muros mais altos para que ninguém pudesse adentrar em sua fortaleza. Enquanto colocava, cuidadosamente, pedra sobre pedra, amaldiçoava o dia em que deixou sua armadura de lado e se mostrou fraca.
Agora, sabia que isso não iria mais acontecer. Ela se conhece bem... e sabe quando vai se fechar para o mundo.
Nada compensaria as suas noites sem dormir e seus olhos inchados.
Mais uma vez ela arriscou e, mais uma vez, ela perdeu. Dessa vez perdeu muito, perdeu o coração, agora ela carrega o vazio no peito... aquele buraco com uma forma que não pode ser preenchida. Talvez ela seja boa em arrancar corações com uma espada e servi-los em uma bandeja de prata, mas não é boa em entregar o seu.
-Eu amaldiçôo o dia em que você nasceu! Gritou. Mas a vontade era entender como pode se doar tanto e perder o seu caminho. Culpa dele que não soube cuidar dela ou culpa dela que fraquejou e mostrou precisar de cuidados.
Agora o que ela faz? Arranca o coração do peito? É uma escolha, assim para de doer e ela nunca mais precisa sentir isso.
Para ela matar dragões é fácil, difícil é juntar todos os pedaços em que ela ficou.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sobre fé e outras coisas...

"Então tudo tem duas visões: a de quem esta dentro - que geralmente é uma visão mais insana, mais egoísta. E a visão de quem esta fora - geralmente mais sensata, mais ampla. Ou não. Tem visões de quem esta fora que são, tão ou mais, insanas do que as suas próprias. Isso deve ter a ver com pessoas. Pessoas sensatas e pessoas insanas. Maduras e imaturas. As que respiram e pensam e as que agem num impulso momentâneo e fazem. E eu não preciso dizer em qual grupo estou. Depois de uma avaliação de alguém mais sensato você melhora, eu ousaria dizer que você se torna até um pouco positiva. Um pouco. Mas também, me pego pensando até que ponto isso não seria conformismo ou ilusão. Até que ponto ver a coisa toda desse foco não é, de fato, se enganar? A gente apela pra búzios, pra cartas de tarô e acredita naquilo, e faz toda força do mundo para acreditar naquilo. Ai entra a fé. Até que ponto você tem fé? Onde esta o limite entre sua fé, seu ceticismo e a realidade? A gente simplesmente crê e não vacila. Ou vacila, mas continua crendo. Mas é essa fé, daquelas bem fortes que faz a gente acreditar no novo, que faz a gente apostar que de uma forma ou de outra as coisas serão como queremos. Sim, nossa fé também é egoísta. O novo bom, o novo certo, claro que é do jeito que a gente quer. E a gente acredita e continua. Com fé. Porque tem coisa mais destrutiva do que insistir sem fé alguma? E não falo em fé ligando diretamente a uma religião, você pode ter fé que o monstro verde que mora no interior da terra irá comer todos os teus problemas. O monstro é seu e a fé muito mais! Uma das coisas que mais tenho tentado apreender é ser humilde. A engolir os não’s que a vida me enfia sem vomitar. A ser desprezada, chorar como uma cadela e acordar, ter fé e continuar. E a ter paciência e saber esperar. Me esforço todos os dias para ter paciência. Para tentar entender que o meu tempo não é o tempo do mundo. Há pessoas mais lentas. Nem todas têm essa ânsia e essa ansiedade. Nem todas têm esse desespero contido de que se não for agora não será em tempo algum. E a gente exercita a paciência e se fere com isso. Auto-flagelação. Quase nunca consigo... é verdade. Mas a tentativa pelo simples ato de tentar já deve servir de alguma coisa. Deve valer algum ponto em algum lugar, no destino, no céu, no paraíso. Em algum lugar tudo isso deve contar de algo. Um colunista muito famoso escreveu dias desses uma crônica que fala sobre o fazer falta. O “sinto sua falta” diz ele, é um dos mais lindos elogios que alguém pode te dizer. Quer coisa mais linda do que fazer falta? Eu não sei se faço falta a alguém. Mas sei que digo aos que me fazem falta o quanto essa falta dói. E isso por mais humilhante que possa parecer (e acreditem, algumas vezes realmente é!) também tem que valer de algo. Ai me lembro dessa coisa de fazer falta. Da vontade que dá de ir embora. De chorar e de ir embora simplesmente, para que te acolham, para que sintam faltam. No fundo para saber se sua ausência se tornará uma falta ou apenas um espaço em branco. A gente não sabe, não da pra sumir apenas pra tentar fazer falta. A gente vai seguindo em frente, continuando, com fé, com dor. Esperando que algum dia, alguém nesse ciclo louco que é a vida, pare e pense no quanto você faz falta. No quanto algum momento com você foi tão forte que fez essa pessoa parar e escrever: “penso em você, sinto sua falta”. A gente vai continuando esperando esses momentos, essas pequenas coisas..." A. R.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Escolhas....

Em algum determinado momento da vida a gente faz escolhas, o que a gente não sabe é que essas escolhas acarretam consequencias pra vida toda... Nada é tão simples como escolher entre a blusa rosa ou a branca (não que de fato a gente faça essa escolha com facilidade, mas ela não muda nada), a gente escolhe carreira, escolhe amigos, escolhe namorado, escolhe o vai ser quando crescer, escolhe contar a verdade, escolhe mentir, escolhe escolher, mesmo dizendo que não queria que nada fosse assim. Quando o tempo passa a gente começa a ver o que aquela escolha do passado trouxe hoje pra nossa vida, começa a pensar que se tivesse mudado uma palavra ou uma atitude que julgou pequena, tudo seria completamente diferente. O triste é que todo mundo só percebe muito tarde o que deveria ter feito e não tem mais como mudar, já passou, acabou ou se perdeu com o tempo. Certas coisas só passam a fazer sentido quando você pensa o quanto foi infantil em determinadas atitudes, o quanto, foi egoista em determinado momento, o quanto foi inconsequente naquela tal situação... Então vem a saudade, a nostalgia, o desanimo, a vontade da maquina de teletransporte, a covardia de pedir desculpas, o aperto no peito de saber que não existem culpados, embora você tenha tenatdo culpar alguém por tanto tempo, e a certeza de que tudo mudou, que você mudou, que aquelas tardes sentadas no chão comendo salgadinhos, vendo filmes, chorando em onjunto mas só por solidariedade não existem mais, por um não saber infantil e momentaneo.... A saudade predomina, as escolhas já feitas, os motivos inexistentes.... A gente só esquece de uma coisa, sempre da tempo de pedir desculpas olhandos nos olhos, de abraçar apertado e dizer que nunca mais isso vai acontecer, de sorrir junto porque tudo o que ambos queriam era ouvir um "e agora tá tudo bem".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Levanta e te sustenta...

... "e não pensa que eu fui por não te amar. Não foi falta de amor não. Só que, ao contrário do que eu sempre acreditei, amor não basta. Nem adianta me perguntar o que é que basta então, porque essa é uma das perguntas que ando me fazendo ultimamente.Claro que eu lembro dos momentos felizes e não são poucos não. Para falar a verdade grandes momentos felizes da minha vida eu passei com você. Mas só nos comerciais de plano de saúde e margarina é que a vida só é feita exclusivamennte de momentos. A vida real é um conjunto de momentos sim, mas também é feita de responsabilidades, compromissos e outras coisas não tão divertidas. Esse monte de coisas que, quando foi necessário você incorporar na sua vida, você não conseguiu e virou outra pessoa. Uma pessoa da qual eu não tenho a menor vontade de ficar junto, a menor saudade. Quase um monstro.Sabe, se desse para levar a vida como antigamente, eu ainda estaria com você sim, ainda acreditaria que amar basta e a gente ainda seria muito feliz junto. Só que não dá pra voltar no tempo e, mesmo se desse, eu não voltaria. Porque as mesmas mudanças que fizeram com que fosse impossível a gente ser feliz junto, também estão fazendo com que eu descubra outro tipo de felicidade. Cansada, sim, mas feliz.Não preciso fazer pouco caso da nossa felicidade anterior, não pense isso, mas é que estando com você, a atual fica pequena.Pode saber que eu sinto saudades da pessoa que você era, da pessoa que foi escolhida pra estar nos meus melhores momentos (sim, aqueles com direito à slow motion), mas que essa saudade não se aplica à pessoa que você se tornou nos últimos meses. Não se aplica à pessoa que existe hoje dentro de você. E por isso mesmo é que é só saudade. Porque saudade é um sentimento que mora no passado. Sem presente, nem futuro." A. R.