quarta-feira, 24 de março de 2010

Confiança... ou falta de..

Aquela conversa havia me deixado atordoada, os sentidos deram lugar os sentimentos mais bem guardados.

Até onde vai sua confiança? Até onde vai sua capacidade de se jogar para trás e acreditar que estará segura?

Eu não lembro, ao certo, onde foi que eu perdi toda aquela que tinha no outro, não sei se foi quando vi a primeira mensagem no celular, se foi naquela fatídica noite de briga, onde eu fui acusada mas poderia ocupar o lugar e acusar também, não sei se foi quando eu vi que tudo de importante, pra mim, era escondido, não sei se foi a omissão de algo que poderia me afetar diretamente... Não sei! O fato é que ela se foi, assim, como num passe de mágica.

Dizem que a base de qualquer relacionamento é a confiança, eu não sei. Mas sei que a falta dela pode trazer inúmero problemas.

Você respira fundo e tenta acreditar que, dessa vez, tudo vai ser diferente. Mas o seu sexto sentido grita. Afinal, você conhece o passado do outro, sabe que ele não foi verdadeiro desde o início, sabe quantas coisas ele escondeu de você e, convenhamos, daquela história você já está calejada. Já tem marcas, cicatrizes e um neon indicando perigo que pisca cada vez você desconfia de algo.

Talvez você seja neurótica! Mas sabe, às vezes é melhor não arriscar. É que você já conhece aquela história de trás pra frente e sabe que o final não é nada feliz.

Como você foi parar naquela história? O caminho não era outro? Quando ele começou a mentir? Como você está, novamente, vivendo tudo isso? É, eu sei que você já se fez todos esses questionamentos, mas chega o momento de parar de questionar e agir.

Erga as mangas e se permita sentir. Se não está feliz, busque o que te fará melhor. Você tem pouco tempo e tudo passa muito rápido.

No final, aquela palavrinha que citamos lá no início, vale muito mais do que juras de amor eterno.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hoje

Hoje começa meu ano novo. Hoje é aquele dia do ano em que eu penso, lembro, contesto, decido, prometo e renovo.

De quando abraços é feito um ano? De quanto aprendizado? De quantos questionamentos? De quantas histórias? De quanto amor? De quantas brigas? De quanto crescimento?

Hoje, diferente dos últimos seis anos, eu gosto desta data, eu me sinto feliz, eu acordei com um sorriso no rosto e vontade de receber abraços. Hoje eu decidi que seria diferente, que eu passaria por este “dia especial” com o coração aberto, sem o pessimismo que já me era tão corriqueiro.

Estranho como uma decisão pode mudar todo o seu dia, estranho como os pensamentos afetam, diretamente, sua vida.

Em um ano eu mudei, as coisas ao me redor mudaram, as pessoas mudaram, as esperanças, as vontades, os medos, as decisões... tudo mudou um pouco e eu mudei um pouco de tudo.

Hoje eu quero aprender, eu quero agarrar o mundo, eu quero ser várias versões, melhoradas, de mim. Hoje eu quero, eu desejo, eu tento, eu levanto, eu aprendo, eu vivo! Eu parei de sobreviver e decidir viver, não sei bem quando aconteceu, mas hoje está tão claro que é quase que palpável.

O meu hoje, eu levo para amanhã e depois de amanhã e todos os outros depois de amanhã que vierem. Que este sentimento que tomou conta de mim, me acompanhe para o resto do meu ano novo. Que eu posso lembrar e agradecer. Que eu posso sentir um pouco de tudo que sinto agora, por todos os dias do meu próximo ano, até que o meu atual ciclo termine e eu consiga começar o outro com a mesma alegria.

“Whatever tomorrow brings I'll be there /With open arms and open eyes (…)”

quinta-feira, 4 de março de 2010

Aquela cobertura...

“A gente tava falando de doces. E eu falei da cobertura da minha vó, que a véia morreu sem deixa pra ninguém. Aí, eu lembrei que deixou sim. Pra você. É o legado dela, e só você sabe.”

Algo como “cobertura de bolo”, me despertou uma série de sentimentos gostosos. Uma nostalgia, eu diria.

É incrível: quando gostamos de alguém o suficiente para sair do ar por alguns segundos, aprendemos tudo que há de importante e, muitas vezes, não notamos que aquilo passa a fazer parte da gente e nos transforma um pouco.

Eu sempre gostei de agradar pessoas queridas, sempre fiz doces para ganhar sorrisos, escrevi cartas para demonstrar sentimentos, comprei presentes para mostrar que pensava e prestava atenção em cada pequeno detalhe.

A cobertura de bolo me trouxe lembranças... Lembranças de uma menina mais doce, descalça, atenta, que buscava sempre saber um pouco mais. Uma garotinha curiosa, que gargalhava com sombras e se divertia confeitando bolos e fazendo guloseimas na cozinha daquela fazenda. Era um prazer, era leve, era suave e doce como cada uma daquelas colheradas de chocolate.

Estranho é que nunca mais tive tanta alegria em fazer aquela cobertura, talvez porque tenha me ligado a um passado, talvez porque nunca mais ninguém comeu com tanto gosto, talvez porque o legado que aquela Avó me deixou, tenha se tornado parte importante de mais para ser compartilhada com qualquer pessoa que não entenda, de fato, sua importância.