quinta-feira, 4 de março de 2010

Aquela cobertura...

“A gente tava falando de doces. E eu falei da cobertura da minha vó, que a véia morreu sem deixa pra ninguém. Aí, eu lembrei que deixou sim. Pra você. É o legado dela, e só você sabe.”

Algo como “cobertura de bolo”, me despertou uma série de sentimentos gostosos. Uma nostalgia, eu diria.

É incrível: quando gostamos de alguém o suficiente para sair do ar por alguns segundos, aprendemos tudo que há de importante e, muitas vezes, não notamos que aquilo passa a fazer parte da gente e nos transforma um pouco.

Eu sempre gostei de agradar pessoas queridas, sempre fiz doces para ganhar sorrisos, escrevi cartas para demonstrar sentimentos, comprei presentes para mostrar que pensava e prestava atenção em cada pequeno detalhe.

A cobertura de bolo me trouxe lembranças... Lembranças de uma menina mais doce, descalça, atenta, que buscava sempre saber um pouco mais. Uma garotinha curiosa, que gargalhava com sombras e se divertia confeitando bolos e fazendo guloseimas na cozinha daquela fazenda. Era um prazer, era leve, era suave e doce como cada uma daquelas colheradas de chocolate.

Estranho é que nunca mais tive tanta alegria em fazer aquela cobertura, talvez porque tenha me ligado a um passado, talvez porque nunca mais ninguém comeu com tanto gosto, talvez porque o legado que aquela Avó me deixou, tenha se tornado parte importante de mais para ser compartilhada com qualquer pessoa que não entenda, de fato, sua importância.

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